Hoje Janis Joplin completaria 70
anos. Desnecessário fazer biografia da grande cantora do acid blues rock de São
Francisco. Morreu aos 27 anos e nos deixou uma pequena, mas valiosíssima obra,
que tenho certeza brilhará forte nos próximos anos e séculos, face a elevada
qualidade de tudo o que nos deixou.
Herdeira de uma rica tradição de
mulheres sofridas (“Ball and Chain”), que traduziram através do blues a
melancolia de uma vida amarga, a dor de uma sensibilidade extrema, como Bessie
Smith e Billie Holiday.
Janis Joplin tinha ainda uma
técnica absurda para o blues e nas últimas músicas gravadas flertava com o jazz
(“Pearl”), o que permite concluir que essa seria a sua vertente para as décadas
seguintes se sobrevivesse aos excessos. Mas Janis vive.
Ouvia-se Janis no canto dorido e
jazzístico de Ammy Winehouse (irmã de copo e substâncias). Há Janis na
profundidade árida do fraseado de Adele, na expressão rouca e sentida de
Britanny Howard (do Alabama Shakes), e de tantas outras que hoje cantam porque
Janis Joplin rompeu as barreiras do blues e do rock, na época notadamente
machista, onde ela se fez grande e se eternizou: ouça Summertime e confira o
que digo.
Longa vida a Janis Joplin.
Pedro Aujor.
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