quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O futuro da indústria da música


Vez por outra escreverei no blog algumas ideias acerca da música de todos os tempos e hoje inicio com o que penso sobre o futuro da indústria da música, como será o mercado e a estrutura de realização e comercialização das obras musicais. O tema é delicado, comporta um zilhão de previsões e obviamente está longe de ser convergente.
Inicio pela arte. Há dois tipos de música: a boa e a ruim, sempre foi assim e sempre será. Pergunto-me o que faz com que Mozart, Beethoven, Bach, e outros mestres da música erudita sejam ainda hoje alvo de estudo e interpretações, duzentos ou trezentos anos depois da obra que deixaram. A resposta é óbvia: qualidade. O que é verdadeiramente bom em matéria de música não encontra a barreira do tempo. Simples assim. Independente da forma de transmissão do áudio, Caruso é “o” tenor, Sinatra é “o” intérprete, Bennet é “o” crooner, Dylan é “o” poeta, os Beatles são “a” banda, e assim por diante. Os exemplos dos que são eternos são muitos e muitos, felizmente. Em todas as épocas sempre teve o “descartável” e o eterno. Daqui há 300 anos haverá um moleque maravilhado com o “Sgt Peppers”, tanto quanto eu há 30 anos atrás ou meu tio em 1968... a arte genuína não tem no tempo o seu valor.
É importante compreender que o que tem começo, meio e fim, não é a arte, é a indústria da arte, ou seja, os que sem criar coisa alguma ganham dinheiro com o que é produzido pelo artista. Não sei quem era o agente de Shakespeare, ou quem agenciava concertos para Mozart, mas esses caras não passaram para a história com qualquer relevância... simplesmente porque a indústria tem o único propósito de ganhar dinheiro. Alguém conhece alguma biografia escrita do Cel. Parker? Não, nem verá, porque Elvis era o artista, e um gênio eterno... Já o agente...
A indústria da música não está preocupada com a música que se faz hoje em dia, se descartável ou eterna, porque nunca esteve! Para a indústria se vende está ótimo; se a tecnologia destruiu os padrões de qualidade, move-se a indústria para o meio digital e ela lá se adapta. Então se por um lado a indústria perverte e corrompe, já que objeto e objetivo é o lucro, por outro lado é graças a ela que nossos filhos e netos terão acesso a música de qualidade de todos os tempos. Pode-se condenar a indústria da música por uma série de coisas, mas ela cumpre seu papel de eternizar o que é bom, e infelizmente tem como efeito colateral propagar o que é ruim e descartável.
Mas qual o futuro?
Do fonógrafo ao Ipod a indústria da música manteve-se (com maior ou menor lucro em cada época) graças à arte produzida de geração em geração. É ela afinal a estrela. Logicamente o futuro da indústria está atrelado ao futuro da música.
Discos não mais se venderão, ponto final, esqueçam. Jobs matou o disco! Vinil ou CD são nos dias que seguem, e seguirão assim, coisas para colecionadores (com artes exclusivas). Gente como eu comprará o meio físico: acima dos 40 anos, que ainda se maravilha com arte gráfica de disco, encartes, informações no papel, qualidade sonora (o que é caro, muito caro...). A quase totalidade das pessoas continuará se valendo da transmissão “virtual” da música, em um processo irreversível de extinção do meio físico. A indústria seguirá isso e será toda virtual, e ali ganhará dinheiro. Músicos e músicas boas e descartáveis continuarão surgindo... e a indústria seguirá faturando.
Se hoje não há mais estúdios que comportem enormes orquestras para gravar 30 ou 40 minutos de música elevada, ajeita-se um seqüenciador vagabundo e grava-se música pobre e vagabunda, all for money... business... (por honestidade ressalvo a “Biscoito Fino”, porque esta comprovadamente mira a qualidade do que lança, e me perdoem se esqueci de alguma outra...).
Quanto aos artistas, é patente que a qualidade musical em si vem decaindo nos últimos anos, e isso se deve à facilidade com que se grava e se disponibiliza, um efeito colateral devastador da tecnologia, permitindo que qualquer débil mental exponha sua “criatividade” pelas redes sociais e youtubes da vida, sem critério ou filtro... o que dá saudades do tempo em que para se gravar um disco o primeiro ponto era o  minimamente qualitativo... mas no meio do lixo surgirão pérolas e gênios, sem dúvida... sempre surgirão.
Talvez não vejamos surgir um novo Deep Purple, um novo Led Zeppelin, um novo Black Sabbath (mestres do bom e velho rock‘n roll), e no Brasil não teremos um novo “Os Mutantes”, um novo “O Terço”, um novo “Jards Macalé”, mas lá fora e aqui surgirão novos mestres e que não gravarão discos, mas deixarão digitalmente suas marcas de qualidade...
Lembremos que nos anos 60s e 70s havia coisas muito ruins também tocando no rádio (em menor quantidade é fato... mas havia) e o que era bom ficou eternizado.
E a indústria? Ora a indústria da música. Essa não perdeu, não perde, e não perderá nunca, seguirá camaleonicamente se ajustando para ganhar dinheiro. Não há mais gravadoras? Não há mais lojas de discos? Não há mais discos? Paciência... sinal dos tempos. O que importa é a arte, e o futuro da arte está garantido, como sempre esteve, graças ao gênio humano que segue nos maravilhando, o artista!


Até a próxima.
Pedro Aujor.

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