Vez por outra
escreverei no blog algumas ideias acerca da música de todos os tempos e hoje
inicio com o que penso sobre o futuro da indústria da música, como será o
mercado e a estrutura de realização e comercialização das obras musicais. O
tema é delicado, comporta um zilhão de previsões e obviamente está longe de ser
convergente.
Inicio pela
arte. Há dois tipos de música: a boa e a ruim, sempre foi assim e sempre será. Pergunto-me
o que faz com que Mozart, Beethoven, Bach, e outros mestres da música erudita
sejam ainda hoje alvo de estudo e interpretações, duzentos ou trezentos anos
depois da obra que deixaram. A resposta é óbvia: qualidade. O que é verdadeiramente
bom em matéria de música não encontra a barreira do tempo. Simples assim.
Independente da forma de transmissão do áudio, Caruso é “o” tenor, Sinatra é
“o” intérprete, Bennet é “o” crooner, Dylan é “o” poeta, os Beatles são “a”
banda, e assim por diante. Os exemplos dos que são eternos são muitos e muitos,
felizmente. Em todas as épocas sempre teve o “descartável” e o eterno. Daqui há
300 anos haverá um moleque maravilhado com o “Sgt Peppers”, tanto quanto eu há
30 anos atrás ou meu tio em 1968... a arte genuína não tem no tempo o seu
valor.
É importante
compreender que o que tem começo, meio e fim, não é a arte, é a indústria da
arte, ou seja, os que sem criar coisa alguma ganham dinheiro com o que é
produzido pelo artista. Não sei quem era o agente de Shakespeare, ou quem
agenciava concertos para Mozart, mas esses caras não passaram para a história
com qualquer relevância... simplesmente porque a indústria tem o único
propósito de ganhar dinheiro. Alguém conhece alguma biografia escrita do Cel.
Parker? Não, nem verá, porque Elvis era o artista, e um gênio eterno... Já o
agente...
A indústria da
música não está preocupada com a música que se faz hoje em dia, se descartável
ou eterna, porque nunca esteve! Para a indústria se vende está ótimo; se a
tecnologia destruiu os padrões de qualidade, move-se a indústria para o meio
digital e ela lá se adapta. Então se por um lado a indústria perverte e
corrompe, já que objeto e objetivo é o lucro, por outro lado é graças a ela que
nossos filhos e netos terão acesso a música de qualidade de todos os tempos.
Pode-se condenar a indústria da música por uma série de coisas, mas ela cumpre
seu papel de eternizar o que é bom, e infelizmente tem como efeito colateral
propagar o que é ruim e descartável.
Mas qual o
futuro?
Do fonógrafo ao
Ipod a indústria da música manteve-se (com maior ou menor lucro em cada época)
graças à arte produzida de geração em geração. É ela afinal a estrela.
Logicamente o futuro da indústria está atrelado ao futuro da música.
Discos não mais
se venderão, ponto final, esqueçam. Jobs matou o disco! Vinil ou CD são nos
dias que seguem, e seguirão assim, coisas para colecionadores (com artes
exclusivas). Gente como eu comprará o meio físico: acima dos 40 anos, que ainda
se maravilha com arte gráfica de disco, encartes, informações no papel,
qualidade sonora (o que é caro, muito caro...). A quase totalidade das pessoas
continuará se valendo da transmissão “virtual” da música, em um processo
irreversível de extinção do meio físico. A indústria seguirá isso e será toda
virtual, e ali ganhará dinheiro. Músicos e músicas boas e descartáveis
continuarão surgindo... e a indústria seguirá faturando.
Se hoje não há
mais estúdios que comportem enormes orquestras para gravar 30 ou 40 minutos de
música elevada, ajeita-se um seqüenciador vagabundo e grava-se música pobre e
vagabunda, all for money... business... (por honestidade ressalvo a “Biscoito
Fino”, porque esta comprovadamente mira a qualidade do que lança, e me perdoem
se esqueci de alguma outra...).
Quanto aos
artistas, é patente que a qualidade musical em si vem decaindo nos últimos
anos, e isso se deve à facilidade com que se grava e se disponibiliza, um
efeito colateral devastador da tecnologia, permitindo que qualquer débil mental
exponha sua “criatividade” pelas redes sociais e youtubes da vida, sem critério
ou filtro... o que dá saudades do tempo em que para se gravar um disco o
primeiro ponto era o minimamente
qualitativo... mas no meio do lixo surgirão pérolas e gênios, sem dúvida...
sempre surgirão.
Talvez não
vejamos surgir um novo Deep Purple, um novo Led Zeppelin, um novo Black Sabbath
(mestres do bom e velho rock‘n roll), e no Brasil não teremos um novo “Os
Mutantes”, um novo “O Terço”, um novo “Jards Macalé”, mas lá fora e aqui
surgirão novos mestres e que não gravarão discos, mas deixarão digitalmente
suas marcas de qualidade...
Lembremos que
nos anos 60s e 70s havia coisas muito ruins também tocando no rádio (em menor
quantidade é fato... mas havia) e o que era bom ficou eternizado.
E a indústria?
Ora a indústria da música. Essa não perdeu, não perde, e não perderá nunca,
seguirá camaleonicamente se ajustando para ganhar dinheiro. Não há mais
gravadoras? Não há mais lojas de discos? Não há mais discos? Paciência... sinal
dos tempos. O que importa é a arte, e o futuro da arte está garantido, como
sempre esteve, graças ao gênio humano que segue nos maravilhando, o artista!
Até a próxima.
Pedro Aujor.

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